algumas poetrixes e um haicai por heresia
POESIANDO
se eu faço uma rima pequenina
pequena pepita cristalina
vejo o mundo enorme, nina
CAMPAINHA
se uma flor abre na janela
de tão singela cor, a flor,
meu corpo todinho acelera
ESPERANÇA
e se por acaso eu topar,
algum dia a caminhar
na rua a estrela do mar
CASA DE MAMÃE
cores, biscoitos, blues
conversa à mesa do chá
um tantão assim de luz
um haicai por heresia
pois no fim das contas
o que conta é poesia
Sábado, Agosto 08, 2009
Quinta-feira, Abril 23, 2009
Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009
poetrixes
conheci poetrix esses dias... gostei tanto da idéia que eu resolvi pegar vários textos antigos meus... pequenas pérolas perdidas, trechos passáveis enfiados em poesias ruins, e lapidar transformando em poetrix.
eis o que saiu:
Passadopresentefuturo
O presente pressente o futuro
Imerso na ilusão do passado
É tudo um ponto
O relógio ao longe
Descompassado bate
E antes que me mate
Desenho o ponto que lhe tange.
Solve et Coagule
que sirva
sorva e
re-solva
Fugi
O Monte Fuji ia rugindo
Nós fugindo
Ele fujindo
Minha alma, desarmada
Canta e geme
Grita e treme
E se desfaz
“Tea or Tears?”, perguntou a tecelã
debruçada em seu tear
tecendo tramas
terços textos
Eros & Thanatos
Venha me libertar
Me beije
Corte minha cabeça
Fundição
Laylah lá fora chora por mim.
Dentro outra noite gargalha.
Minh`alma dançando no fio da navalha.
Fecho a janela, me tranco em mim
Porém ainda gotas me tocam,
invadem, me alcançam em minha toca.
Relações Interpessoais
O ser humano precisa
De outro para ser
Humano
Que faço eu de minha alma?
Tão volúvel
Tão volátil
Jamais fútil
Pedra Rosa
A batucada dos tambores repica no meu peito
Voltas e cores pelo ar
ClAmores d’alma suspirosa
Oh Vasto Mundo!
A Senhora com a Foice
Me persegue, me ilumina
Me ataca e me fascina
Frase de Papel de Bala
Hoje à tarde
Bala caída no chão
“eu me rendo, você venceu”
um ser comum
um lugar qualquer
em tempo algum
nem um lapso sequer
minha vida se acha (ou se perde)
entre linhas mortas
retas tortas
e tortas de limão
Socorro!
A vida que jorra neste instante
Flutuando, pluma ao vento,
Cabelo de cavaleiro andante
A primavera
Quase um haikai
Tão cordial
Nesse vai-não-vai
Dê um passo adiante
Prédio alto, braços abertos
Bem no topo, olhe para o sol
Seja a essência do sol
Embriagado em passos tortos
Passos largos
Espaçados
E o espaço se dilui
(falam mais que palavras)
um gesto
um olhar
uma sensação pelo ar
eis o que saiu:
Passadopresentefuturo
O presente pressente o futuro
Imerso na ilusão do passado
É tudo um ponto
O relógio ao longe
Descompassado bate
E antes que me mate
Desenho o ponto que lhe tange.
Solve et Coagule
que sirva
sorva e
re-solva
Fugi
O Monte Fuji ia rugindo
Nós fugindo
Ele fujindo
Minha alma, desarmada
Canta e geme
Grita e treme
E se desfaz
“Tea or Tears?”, perguntou a tecelã
debruçada em seu tear
tecendo tramas
terços textos
Eros & Thanatos
Venha me libertar
Me beije
Corte minha cabeça
Fundição
Laylah lá fora chora por mim.
Dentro outra noite gargalha.
Minh`alma dançando no fio da navalha.
Fecho a janela, me tranco em mim
Porém ainda gotas me tocam,
invadem, me alcançam em minha toca.
Relações Interpessoais
O ser humano precisa
De outro para ser
Humano
Que faço eu de minha alma?
Tão volúvel
Tão volátil
Jamais fútil
Pedra Rosa
A batucada dos tambores repica no meu peito
Voltas e cores pelo ar
ClAmores d’alma suspirosa
Oh Vasto Mundo!
A Senhora com a Foice
Me persegue, me ilumina
Me ataca e me fascina
Frase de Papel de Bala
Hoje à tarde
Bala caída no chão
“eu me rendo, você venceu”
um ser comum
um lugar qualquer
em tempo algum
nem um lapso sequer
minha vida se acha (ou se perde)
entre linhas mortas
retas tortas
e tortas de limão
Socorro!
A vida que jorra neste instante
Flutuando, pluma ao vento,
Cabelo de cavaleiro andante
A primavera
Quase um haikai
Tão cordial
Nesse vai-não-vai
Dê um passo adiante
Prédio alto, braços abertos
Bem no topo, olhe para o sol
Seja a essência do sol
Embriagado em passos tortos
Passos largos
Espaçados
E o espaço se dilui
(falam mais que palavras)
um gesto
um olhar
uma sensação pelo ar
côco da BR
já é de tarde
tô sentado aqui na grama
puxa vida, que desgrama
só queria uma cama
pra mó de podê deitá
tô embolado
eu tô todo esfomeado
tô ficando aperreado
invento palavreado
pra mó de podê rimá
e vou no côco
rimando sem brincadeira
fazendo uma pulseira
mangueando a praça inteira
pra mó de podê ganhá
ganhá dinheiro
amigo, sem fulerage,
pra comprá uma passage
ir em frente na viage
pra mó de podê chegá
chegá em casa
encontrá os meu irmão
meus manos do coração
porque nesta solidão
não dá mais para ficá
tô sentado aqui na grama
puxa vida, que desgrama
só queria uma cama
pra mó de podê deitá
tô embolado
eu tô todo esfomeado
tô ficando aperreado
invento palavreado
pra mó de podê rimá
e vou no côco
rimando sem brincadeira
fazendo uma pulseira
mangueando a praça inteira
pra mó de podê ganhá
ganhá dinheiro
amigo, sem fulerage,
pra comprá uma passage
ir em frente na viage
pra mó de podê chegá
chegá em casa
encontrá os meu irmão
meus manos do coração
porque nesta solidão
não dá mais para ficá
pseudo-hai kais para são paulo
toda vez que parto
de São Paulo, deixo outra
parte de mim
:::
São Paulo, cidade
de sonhos e ilusões que
são realidade
de São Paulo, deixo outra
parte de mim
:::
São Paulo, cidade
de sonhos e ilusões que
são realidade
Sábado, Novembro 01, 2008
não quero escrever poema de amor
ou de dor, não quero mais
poema sem esmero.
nem que seja sincero.
não vou mais compor meus ais,
nossos corpos lado a lado.
não, não quero mais
poema de amor mal-rimado.
ou de dor, não quero mais
poema sem esmero.
nem que seja sincero.
não vou mais compor meus ais,
nossos corpos lado a lado.
não, não quero mais
poema de amor mal-rimado.
Segunda-feira, Setembro 15, 2008
Clichês
homem
mulher
:::
- diz que me ama.
- hein?
- diz...
- não é algo que se diga
amiga, o sentimento
perde valor quando explícito
fique atenta, bote tento
neste mundo amor é ilícito
é tão imoral que crucifica
- ora, pois, não bobeje,
amor é algo belo, não flagelo
não tenha vergonha
deste grande sol amarelo
deixe que se imponha
tudo que há de bom e me beije.
- bem vejo como és criança
que acreditas nestas asneiras
te beijo porque me dá prazer
não por amor, que besteira.
neste mundo tão blasé
apenas a ilusão avança.
- hah! criança? eu?
em livros te partes...
bem posso reconhecê-los
todos nietzches e sartres...
por que não rompes estes selos
como rompeste o hímen meu?
- Tolices! nada há a romper.
estou no caminho certo.
tu que apenas chafurdas
trilhando o incorreto
caminho das crenças medievais.
ai, quão atrasada está você.
- Estúpido! como ousas?
me chamar de medieval!
estás doido por acaso?
zombar do amor real,
e de mim fazer pouco caso.
ah, vou atrás d'outras cousas!
- Não! por favor não vá!
fui por demais descortês,
mas me arrependo, juro!
perdoe meu jeito inglês
e meu modo perjuro.
deixe-me te alegrar.
- ai tolinho maldito...
bem sabes que te perdôo
mas diga que me ama
qye qyabdi ne vês alças vôo.
e que seja mentira insana,
ainda assim acredito.
- está bem, eu digo
que te amo: eu te amo
satisfeita, anjo dourado?
digo sem desengano:
quero-te sempre a meu lado.
nisto não há perigo.
- obrigada. obrigada... eu também te amo.
mulher
:::
- diz que me ama.
- hein?
- diz...
- não é algo que se diga
amiga, o sentimento
perde valor quando explícito
fique atenta, bote tento
neste mundo amor é ilícito
é tão imoral que crucifica
- ora, pois, não bobeje,
amor é algo belo, não flagelo
não tenha vergonha
deste grande sol amarelo
deixe que se imponha
tudo que há de bom e me beije.
- bem vejo como és criança
que acreditas nestas asneiras
te beijo porque me dá prazer
não por amor, que besteira.
neste mundo tão blasé
apenas a ilusão avança.
- hah! criança? eu?
em livros te partes...
bem posso reconhecê-los
todos nietzches e sartres...
por que não rompes estes selos
como rompeste o hímen meu?
- Tolices! nada há a romper.
estou no caminho certo.
tu que apenas chafurdas
trilhando o incorreto
caminho das crenças medievais.
ai, quão atrasada está você.
- Estúpido! como ousas?
me chamar de medieval!
estás doido por acaso?
zombar do amor real,
e de mim fazer pouco caso.
ah, vou atrás d'outras cousas!
- Não! por favor não vá!
fui por demais descortês,
mas me arrependo, juro!
perdoe meu jeito inglês
e meu modo perjuro.
deixe-me te alegrar.
- ai tolinho maldito...
bem sabes que te perdôo
mas diga que me ama
qye qyabdi ne vês alças vôo.
e que seja mentira insana,
ainda assim acredito.
- está bem, eu digo
que te amo: eu te amo
satisfeita, anjo dourado?
digo sem desengano:
quero-te sempre a meu lado.
nisto não há perigo.
- obrigada. obrigada... eu também te amo.
Vinhos de Rosas
(escrito em conjunto com Julinha Ribeiro. cores:
Lênon
Juh)
papel de bala no chão
me abala o coração
estala e intercala
sem sentido, sem razão.
nova trova, nova fala:
crie som em um clarão.
inspicriando
...sempre
..cantando
.....e
...nunca
......parando
ciranda ciranda
cirandando
valsadançando
siga o baile
das palavras
e que surjam
belas lavras
palavras-flores
jardim-poesias
jardineiros-poetas
compara-comparando
brote no aroma
desta canção
a Roma! a Roma!
a todos os quatro cantos
aos infinitos recantos
enviemos nossos cantos
tão cheios de encantos
tão santos prantos
tão alegres acalantos
somos incentivados
aos cantos
.....acalantos
.....prantos
o engraçado
embriagado
.....e
misturado
vence em Roma
......o
....mais
....amado
......e
....pouco
...falado
que nossas palavras
sejam carinhos
indiquem caminhos
e que a Rosa
por nós regada
seja vistosa:
um tudo-nada
jardineiros
amados
.........são
articulados
.ao
..todo
...carinho
seja no
.nada,
..tudo
...no
....bem
.....ou
......mal
amados
nada-tudo
contrastes
bem igualados
sentidos
amigos, amados
que
nada ou tudo
sejam bem
lindos
no mundo
desorientados
amores são rosas
imagem velha, eu sei
beleza, perfume...
............espinhos
porém o prazer
- cor e odor -
supera em muito a dor
do corte que se possa fazer
por isso cultivamos
aquilo que pode nos ferir
pois no fundo sabemos
que o sangue nos fará rir
olhares tristonhos
olhares risonhos
..........a Flor
.............é
..........isso!
mais do que
..........isso!
somos flores!
somos vida!
espinhos
cores
pétalas
lágrimas
que do sangue
.............se faça
....................um
belo vinho
Lênon
Juh)
papel de bala no chão
me abala o coração
estala e intercala
sem sentido, sem razão.
nova trova, nova fala:
crie som em um clarão.
inspicriando
...sempre
..cantando
.....e
...nunca
......parando
ciranda ciranda
cirandando
valsadançando
siga o baile
das palavras
e que surjam
belas lavras
palavras-flores
jardim-poesias
jardineiros-poetas
compara-comparando
brote no aroma
desta canção
a Roma! a Roma!
a todos os quatro cantos
aos infinitos recantos
enviemos nossos cantos
tão cheios de encantos
tão santos prantos
tão alegres acalantos
somos incentivados
aos cantos
.....acalantos
.....prantos
o engraçado
embriagado
.....e
misturado
vence em Roma
......o
....mais
....amado
......e
....pouco
...falado
que nossas palavras
sejam carinhos
indiquem caminhos
e que a Rosa
por nós regada
seja vistosa:
um tudo-nada
jardineiros
amados
.........são
articulados
.ao
..todo
...carinho
seja no
.nada,
..tudo
...no
....bem
.....ou
......mal
amados
nada-tudo
contrastes
bem igualados
sentidos
amigos, amados
que
nada ou tudo
sejam bem
lindos
no mundo
desorientados
amores são rosas
imagem velha, eu sei
beleza, perfume...
............espinhos
porém o prazer
- cor e odor -
supera em muito a dor
do corte que se possa fazer
por isso cultivamos
aquilo que pode nos ferir
pois no fundo sabemos
que o sangue nos fará rir
olhares tristonhos
olhares risonhos
..........a Flor
.............é
..........isso!
mais do que
..........isso!
somos flores!
somos vida!
espinhos
cores
pétalas
lágrimas
que do sangue
.............se faça
....................um
belo vinho
Sábado, Setembro 13, 2008
Til Deg
(o nome tá em norueguês só pra ser chique. não confundir com música homônima - muito boa, por sinal - da banda Gåte)
e se eu te dissesse
para dar-me tua mão
e vir comigo?
e se eu te dissesse
que sou aquele que procuras
a tanto tempo?
e se eu te dissesse...?
ah, te direi, te direi.
parecerá mentira, sim eu sei.
mas te direi.
te digo agora:
dê me tua mão
e venha comigo
pois o meu amor
vai além do de um irmão
ou de um amigo.
sinta as batidas de meu coração
e saiba que não é ilusão
quando eu digo
que meu amor ascende em esplendor
por ti.
e se eu te dissesse
para dar-me tua mão
e vir comigo?
e se eu te dissesse
que sou aquele que procuras
a tanto tempo?
e se eu te dissesse...?
ah, te direi, te direi.
parecerá mentira, sim eu sei.
mas te direi.
te digo agora:
dê me tua mão
e venha comigo
pois o meu amor
vai além do de um irmão
ou de um amigo.
sinta as batidas de meu coração
e saiba que não é ilusão
quando eu digo
que meu amor ascende em esplendor
por ti.
Do Jardim
cantando desco ao jardim.
o sol ilumina, bela tarde.
flores rosas verdes assim:
multidão de cor e alarde.
entre as plantas um regato,
onde brincavam nossos sonhos,
e com pudor e com recato
passamos dias risonhos.
lá nos vimos muitas vezes
lá dormimos sobre redes
lá a felicidade foi plena
porém hoje esse recanto
que tanto ouviu nosso canto
ouve uma ária mais amena.
o sol ilumina, bela tarde.
flores rosas verdes assim:
multidão de cor e alarde.
entre as plantas um regato,
onde brincavam nossos sonhos,
e com pudor e com recato
passamos dias risonhos.
lá nos vimos muitas vezes
lá dormimos sobre redes
lá a felicidade foi plena
porém hoje esse recanto
que tanto ouviu nosso canto
ouve uma ária mais amena.
Quarta-feira, Setembro 10, 2008
Beije o Mundo
a loucura o que procuras?
amor!
não se pergunte o caminho,
construa-o!
a sabedoria e a loucura
teus sonhos, amor, teus sonhos
apenas viva!
mantenha a chama do peito acesa,
princesa!
flutue nos caminhos da vida
seja uma pluma
seja o fluxo
dirija o fluxo
e deixe o fluxo te levar
beije o mundo
desca ao profundo
de todo pensamento
tudo que te dê alento
amor!
não se pergunte o caminho,
construa-o!
a sabedoria e a loucura
teus sonhos, amor, teus sonhos
apenas viva!
mantenha a chama do peito acesa,
princesa!
flutue nos caminhos da vida
seja uma pluma
seja o fluxo
dirija o fluxo
e deixe o fluxo te levar
beije o mundo
desca ao profundo
de todo pensamento
tudo que te dê alento
Quarta-feira, Setembro 03, 2008
Da Saudade v.2.0
(modificações feitas por Lucas Lisboa)
Numa casa bem alta no morro
entre pastos e matos, discorro
no papel a pungente saudade
que já sinto da grande cidade
o trem passa e depois são os pássaros,
que distraem-me das letras e traços
enchem tudo de música e cor
mas realmente prefiro, meu amor,
o barulho: guitarras torcidas
o sabor bom de pizzas dormidas
o embalado do ritmo industrial
mas eu mesmo desejo esse Dom
de não ter diferença de Tom
do Concreto para o mais Surreal
Numa casa bem alta no morro
entre pastos e matos, discorro
no papel a pungente saudade
que já sinto da grande cidade
o trem passa e depois são os pássaros,
que distraem-me das letras e traços
enchem tudo de música e cor
mas realmente prefiro, meu amor,
o barulho: guitarras torcidas
o sabor bom de pizzas dormidas
o embalado do ritmo industrial
mas eu mesmo desejo esse Dom
de não ter diferença de Tom
do Concreto para o mais Surreal
Segunda-feira, Julho 07, 2008
Canção de Uma Manhã Preguiçosa
abro os olhos,
o sol já sobe.
teu cheiro...
que preguiça de levantar!
e sentas à janela,
fumando, tão singela.
cigarro e incenso
se misturam pelo ar
e ah!
que preguiça de levantar!
um "bom dia" cristalino
cantam os carros
lá embaixo...
que preguiça de levantar!
estamos no quinto andar
e tu, nua, sentas
na janela a fumar.
mais um gole de whisky
e ah!
que preguiça de levantar!
me pergunto a quanto tempo
estás aí parada
pelada...
copo e cigarro na mão
olhos na multidão
que embaixo passa
estendo o braço e chamo
um riso belo e vens
e ah!
que preguiça de levantar!
o sol já sobe.
teu cheiro...
que preguiça de levantar!
e sentas à janela,
fumando, tão singela.
cigarro e incenso
se misturam pelo ar
e ah!
que preguiça de levantar!
um "bom dia" cristalino
cantam os carros
lá embaixo...
que preguiça de levantar!
estamos no quinto andar
e tu, nua, sentas
na janela a fumar.
mais um gole de whisky
e ah!
que preguiça de levantar!
me pergunto a quanto tempo
estás aí parada
pelada...
copo e cigarro na mão
olhos na multidão
que embaixo passa
estendo o braço e chamo
um riso belo e vens
e ah!
que preguiça de levantar!
Quinta-feira, Junho 26, 2008
A Moça dos Cabelos Azuis
fui uma visão fugaz,
encontro cheio de luz,
quando o jovem rapaz
certo dia a viajar
encontrou no além-mar
a moça dos cabelos azuis.
um piercing enfeitava
o sorriso pleno de luz
que espontâneo brotava
em suas faces serenas
de feições tão amenas
da moça dos cabelos azuis.
foi uma hora tão breve,
instante repleto de luz,
deixou o coração leve,
o mundo em alto-astral.
pois como pode haver o mal,
se há a moça de cabelos azuis?
as palavras pronunciadas,
todas sílabas de luz,
poucas porém guardadas
assim como o rosto de fada.
pois será sempre lembrada
a moça dos cabelos azuis.
encontro cheio de luz,
quando o jovem rapaz
certo dia a viajar
encontrou no além-mar
a moça dos cabelos azuis.
um piercing enfeitava
o sorriso pleno de luz
que espontâneo brotava
em suas faces serenas
de feições tão amenas
da moça dos cabelos azuis.
foi uma hora tão breve,
instante repleto de luz,
deixou o coração leve,
o mundo em alto-astral.
pois como pode haver o mal,
se há a moça de cabelos azuis?
as palavras pronunciadas,
todas sílabas de luz,
poucas porém guardadas
assim como o rosto de fada.
pois será sempre lembrada
a moça dos cabelos azuis.
Do Trem
ao longe o sol desce
e o céu escurece
mas o trem segue
vale após túnel
árvores e postes correm
e os minutos escorrem
enquanto o trem segue
túnel após vale
ali vai tanta gente
tanta história pungente
enquanto o trem segue
montanha após vale
mesmo quando chegamos
e nos aconchegamos
sempre o trem segue
luz após túnel
e o céu escurece
mas o trem segue
vale após túnel
árvores e postes correm
e os minutos escorrem
enquanto o trem segue
túnel após vale
ali vai tanta gente
tanta história pungente
enquanto o trem segue
montanha após vale
mesmo quando chegamos
e nos aconchegamos
sempre o trem segue
luz após túnel
Quarta-feira, Junho 25, 2008
A Folha que Folia
uma folha
uma singela folha
folia
feliz e sorridente
entre os aldeões
ninguém lhe dava atenção
ou sequer fazia menção
de tirá-la para dançar
mas ali continuava ela
tão contente, tão donzela
a folha de maracujá
"não quero saber do relento
e nem me fale em sofrimento
eu quero apenas bailar.
aqui não existe agonia,
apenas gozo", dizia
a folha de maracujá
aquela folha
aquela singela folha
que folia
feliz e sorridente
entre os aldeões
uma singela folha
folia
feliz e sorridente
entre os aldeões
ninguém lhe dava atenção
ou sequer fazia menção
de tirá-la para dançar
mas ali continuava ela
tão contente, tão donzela
a folha de maracujá
"não quero saber do relento
e nem me fale em sofrimento
eu quero apenas bailar.
aqui não existe agonia,
apenas gozo", dizia
a folha de maracujá
aquela folha
aquela singela folha
que folia
feliz e sorridente
entre os aldeões
Da Saudade
em uma casa no alto do morro
entre pastos e matos, discorro
sobre a pungente saudade
que sinto da grande cidade
um trem passa e os pássaros, ai,
como este colibri que me distrai,
enchem tudo de música e cor
mas eu realmente prefiro, amor,
o som das guitarras distorcidas
o sabor das pizzas amanhecidas
o embalo do ritmo industrial
mas especialmente aquele dom
de não haver diferença de tom
entre o concreto e o surreal
entre pastos e matos, discorro
sobre a pungente saudade
que sinto da grande cidade
um trem passa e os pássaros, ai,
como este colibri que me distrai,
enchem tudo de música e cor
mas eu realmente prefiro, amor,
o som das guitarras distorcidas
o sabor das pizzas amanhecidas
o embalo do ritmo industrial
mas especialmente aquele dom
de não haver diferença de tom
entre o concreto e o surreal
Quinta-feira, Abril 24, 2008
Quinta-feira, Abril 17, 2008
Despedida Prematura
vai chover.
as folhas caem, outonais,
o céu escurece e minha paz,
você,
disse que vai ligar e eu espero.
escrevo versos sem esmero
nas folhas
espalhadas sobre a mesa,
caindo com firmeza.
recolha-as.
gotas de lágrimas arbóreas,
espantando as senhoras...
correm.
nuvem no céu escurece,
improviso uma prece
jovem.
a tarde recém começou,
mal descobri o que sou.
vai chover.
as lágrimas caem em paz.
ajoelho-me onde jaz
você.
as folhas caem, outonais,
o céu escurece e minha paz,
você,
disse que vai ligar e eu espero.
escrevo versos sem esmero
nas folhas
espalhadas sobre a mesa,
caindo com firmeza.
recolha-as.
gotas de lágrimas arbóreas,
espantando as senhoras...
correm.
nuvem no céu escurece,
improviso uma prece
jovem.
a tarde recém começou,
mal descobri o que sou.
vai chover.
as lágrimas caem em paz.
ajoelho-me onde jaz
você.
Sábado, Fevereiro 23, 2008
De Hedonis
No templo verde da lagoa
um sentimento muito leve se apregoa.
No tempo em que cresce a raíz,
Dionísio, relâmpago, voz: sê feliz!
No ermo da cidade adormecida
entre prédios preparo uma descida
da rua da urbe à rua da alma,
rios de asfalto, sentido e, calma,
nada há a temer esta noite,
ainda que o vento forte açoite,
apenas o nobre Hedonis espera.
com seus olhos brilhantes de pantera
o fundo de minh'alma ele agita:
prazer e alegria são de ouro pepita!
um sentimento muito leve se apregoa.
No tempo em que cresce a raíz,
Dionísio, relâmpago, voz: sê feliz!
No ermo da cidade adormecida
entre prédios preparo uma descida
da rua da urbe à rua da alma,
rios de asfalto, sentido e, calma,
nada há a temer esta noite,
ainda que o vento forte açoite,
apenas o nobre Hedonis espera.
com seus olhos brilhantes de pantera
o fundo de minh'alma ele agita:
prazer e alegria são de ouro pepita!
Domingo, Dezembro 23, 2007
Embriagai-vos
(esta NÃO é minha... quem dera fosse. é de um gênio chamado Charles Boudelaire. apreciem sem moderação.)
Embriagai-vos
Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto: é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que vos dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagai-vos sem cessar é preciso.
Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, como achardes melhor.
Mas embriagai-vos.
E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão de seu quarto, você acordar com a embriaguez já diminuída ou sumida, pergutem ao relógio, ao vento, à vaga, às estrelas, a tudo que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, as estrelas, as aves lhe responderão: "É hora de embriagai-vos! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriagaivos; sem cessar embriagai-vos! De vinho, poesia ou virtude, como achardes melhor".
Embriagai-vos
Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto: é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que vos dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagai-vos sem cessar é preciso.
Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, como achardes melhor.
Mas embriagai-vos.
E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão de seu quarto, você acordar com a embriaguez já diminuída ou sumida, pergutem ao relógio, ao vento, à vaga, às estrelas, a tudo que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, as estrelas, as aves lhe responderão: "É hora de embriagai-vos! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriagaivos; sem cessar embriagai-vos! De vinho, poesia ou virtude, como achardes melhor".
Quarta-feira, Dezembro 19, 2007
What a Boring World!
mais uma música dos Neuromantes. na verdade não tá pronta ainda. faltam mais algumas estrofes.
^^
Letra: Danilo Luís Faria / Lênon Kramer von Bischofshhausen
Música: Lênon Kramer von Bischofshhausen
What a Boring World!
late at morning
holy crap!
life is boring
and I'm tired to rest
smoking a cigarret
'couse I think it's cool
with something in my mouth
don't need to talk with someone else
what a boring world!
what a boring world!
what a boring world
around.
see the city's streets
in my neigborhood
brainless minds
living just for food
sitting at the bus stop
just waiting
for the time
to shake body with the crowd
what a boring world!
what a boring world!
what a boring world
around.
^^
Letra: Danilo Luís Faria / Lênon Kramer von Bischofshhausen
Música: Lênon Kramer von Bischofshhausen
What a Boring World!
late at morning
holy crap!
life is boring
and I'm tired to rest
smoking a cigarret
'couse I think it's cool
with something in my mouth
don't need to talk with someone else
what a boring world!
what a boring world!
what a boring world
around.
see the city's streets
in my neigborhood
brainless minds
living just for food
sitting at the bus stop
just waiting
for the time
to shake body with the crowd
what a boring world!
what a boring world!
what a boring world
around.
Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
Why do we need a home at all?
musiquinha nova d'Os Neuromantes (surgida no ensaio de ontem):
letra - Danillo Luis Faria / Lênon Kramer von Bischofshhausen
música - Lênon Kramer von Bischofshhausen
"long way to hooooome..."
-hey! wait!
-what?
-we don't have a home at all...
-yeah... that's right...
we don't have a home at all
'couse we have this fucking town
when we came from work at night
we go to a freind's hive
mama and papa want us home
oh please just leave me alone
they use to say that family's nice
oh, come on, give it a try!
we don't like they call us hypes
'couse we don't sell works at night
we don't sleep in streets or alleys
'couse we have some fucking allies!!!
when we see that it's morning
we can't think that night was boring
so we look to the working guys
oh, our life is paradise!!!
letra - Danillo Luis Faria / Lênon Kramer von Bischofshhausen
música - Lênon Kramer von Bischofshhausen
"long way to hooooome..."
-hey! wait!
-what?
-we don't have a home at all...
-yeah... that's right...
we don't have a home at all
'couse we have this fucking town
when we came from work at night
we go to a freind's hive
mama and papa want us home
oh please just leave me alone
they use to say that family's nice
oh, come on, give it a try!
we don't like they call us hypes
'couse we don't sell works at night
we don't sleep in streets or alleys
'couse we have some fucking allies!!!
when we see that it's morning
we can't think that night was boring
so we look to the working guys
oh, our life is paradise!!!
Terça-feira, Outubro 30, 2007
copo
(F7+ Dm)
um copo de coca bem gelada agora me fará bem.
um pouco vazio o corpo frio e a meu lado alguém
(A7 D E/D D F)
o que será da minha vida se não se fecha esta ferida?
(F7+ Dm)
lá fora chove, o tempo corre, o que será de mim?
o vento forte, no meu peito um corte carmesim
(A7 D E/D D F)
se não consigo resistir, não tem outro jeito, eu vou partir.
solo:
(F7+ A7 C G Em)
refrão:
(F D E)
sentado na janela
vendo o trânsito passar
minha alma se esfacela
enquanto eu tento respirar
se ao menos eu tivesse
uma garrafa de conhaque
então eu lavaria
toda essa mágoa tênue que me assola, desconsola e descontrola.
(falta escrever as duas estrofes finais da música)
um copo de coca bem gelada agora me fará bem.
um pouco vazio o corpo frio e a meu lado alguém
(A7 D E/D D F)
o que será da minha vida se não se fecha esta ferida?
(F7+ Dm)
lá fora chove, o tempo corre, o que será de mim?
o vento forte, no meu peito um corte carmesim
(A7 D E/D D F)
se não consigo resistir, não tem outro jeito, eu vou partir.
solo:
(F7+ A7 C G Em)
refrão:
(F D E)
sentado na janela
vendo o trânsito passar
minha alma se esfacela
enquanto eu tento respirar
se ao menos eu tivesse
uma garrafa de conhaque
então eu lavaria
toda essa mágoa tênue que me assola, desconsola e descontrola.
(falta escrever as duas estrofes finais da música)
Quinta-feira, Outubro 25, 2007
Beat Bits
Desperte!
a noite cai, as estrelas começam a brilhar. o caos dança, ácido, é o sabor da rede digital. ando ao sabor da realidade virtual.
zero
um
um
zero
bits de informação zanzando pelo cérebro
...
somos os beats da era digital.
nós sabemos que o zero é igual ao um.
somos os magos.
abrimos a caixa quotidianamanete, sempre fazendo a opção pelo universo que queremos.
fazendo escolhas, criamos o universo.
não existe o impossível, neste passeio pelo mundo.
ao colapsar do espaço-tempo compreendemos que é tudo um ponto. passadopresentefuturo cirandando loucamente em todas as maneiras possíveis.
nossa vontade é a espátula com que moldamos a nossa realidade.
você é parte de nós.
nós somos deus.
a noite cai, as estrelas começam a brilhar. o caos dança, ácido, é o sabor da rede digital. ando ao sabor da realidade virtual.
zero
um
um
zero
bits de informação zanzando pelo cérebro
...
somos os beats da era digital.
nós sabemos que o zero é igual ao um.
somos os magos.
abrimos a caixa quotidianamanete, sempre fazendo a opção pelo universo que queremos.
fazendo escolhas, criamos o universo.
não existe o impossível, neste passeio pelo mundo.
ao colapsar do espaço-tempo compreendemos que é tudo um ponto. passadopresentefuturo cirandando loucamente em todas as maneiras possíveis.
nossa vontade é a espátula com que moldamos a nossa realidade.
você é parte de nós.
nós somos deus.
Ponto
negro líquido lânguido
fluindo garganta abaixo
enquanto eu encaixo,
gota a gota, um frígido
sentido de falta.
nesta noite alta
a corrosão espectral que vem
me arrebatar para longe,
e um suspiro que me foge
leva consigo alguém.
amor! que será da vida
se a cada vez que respiro
ou ando, caio e me firo,
se tudo que recebo na lida
é sempre o mesmo
clangor a esmo
o relógio ao longe
descompassado bate
e antes que me mate
desenho o ponto que lhe tange.
fluindo garganta abaixo
enquanto eu encaixo,
gota a gota, um frígido
sentido de falta.
nesta noite alta
a corrosão espectral que vem
me arrebatar para longe,
e um suspiro que me foge
leva consigo alguém.
amor! que será da vida
se a cada vez que respiro
ou ando, caio e me firo,
se tudo que recebo na lida
é sempre o mesmo
clangor a esmo
o relógio ao longe
descompassado bate
e antes que me mate
desenho o ponto que lhe tange.
Sexta-feira, Setembro 21, 2007
ode à metrópole
hojeu eu vou caminhar pelas ruas da cidade
é de noite e os carros vagam com temeridade
olha só, como é lindo, as pessoas indo e vindo
pelos bares, pelo centro, e o trânsito fluindo
prédios altos, avenidas e os panques lá na praça
muito vinho e cerveja, vários litros de cahcaça
vou dançando uma valsa pelas ruas que eu amo
e as luzes de neon, dançando elevam o tom
a metrópole esta noite vai brilhar
barulhenta, tiros, carros a passar
histeria, gritos, uivos e sirenes
a metrópole, sua fluidez perene
e da cinza das fumaças brotam os muros pixados
futuristas primitivos, de mãos dadas lado a lado
os xamãs urbanos com colares de silício
cada esquina, cada casa, cada bairro um novo vício
conhecer a metrópole é uma grande odisséia
tem polícia, anarquista, e uma grande panacéia
e sem ela eu não sei para onde devo ir
pois a urbe, vejam bem, é meu viver e meu sorrir
é de noite e os carros vagam com temeridade
olha só, como é lindo, as pessoas indo e vindo
pelos bares, pelo centro, e o trânsito fluindo
prédios altos, avenidas e os panques lá na praça
muito vinho e cerveja, vários litros de cahcaça
vou dançando uma valsa pelas ruas que eu amo
e as luzes de neon, dançando elevam o tom
a metrópole esta noite vai brilhar
barulhenta, tiros, carros a passar
histeria, gritos, uivos e sirenes
a metrópole, sua fluidez perene
e da cinza das fumaças brotam os muros pixados
futuristas primitivos, de mãos dadas lado a lado
os xamãs urbanos com colares de silício
cada esquina, cada casa, cada bairro um novo vício
conhecer a metrópole é uma grande odisséia
tem polícia, anarquista, e uma grande panacéia
e sem ela eu não sei para onde devo ir
pois a urbe, vejam bem, é meu viver e meu sorrir
Quinta-feira, Agosto 30, 2007
Segunda-feira, Maio 07, 2007
sala de cinema
embriagado em sonhos vãos
vão-se diluindo lilases
todas as luzes fugazes.
-rapazes, como dói o coração.
sou só um malandro safado
aquele tipo de má companhia
de quem toda mãe desconfia
e evita que esteja a teu lado.
oh se ela ao menos soubesse
que enquanto estavas na quermesse
eu chorava por ti este poema.
e que nesta sala vazia de cinema
enquanto jules et jim eu vejo
só penso no sabor de teu beijo.
vão-se diluindo lilases
todas as luzes fugazes.
-rapazes, como dói o coração.
sou só um malandro safado
aquele tipo de má companhia
de quem toda mãe desconfia
e evita que esteja a teu lado.
oh se ela ao menos soubesse
que enquanto estavas na quermesse
eu chorava por ti este poema.
e que nesta sala vazia de cinema
enquanto jules et jim eu vejo
só penso no sabor de teu beijo.
A Sala (um exercício descritivo)
a barata rouca rôta sobre o solo madeirento
vento passa pela fresta que me resta e um alento
tento não parecer tedioso osso para a visita aflita
fica sempre um gosto fosco anelado de birita
me irrita tanto papel cinzel espalhado pela mesa
framboesa e algo mais me traz esse cheiro de incerteza
firmeza não o violão encostado num canto acalanto
e um manto de poeira sem besteira e nenhum pranto
pois de tanto em tanto é que me mata uma barata
rata rata rata rata rata rôta uma barata
vento passa pela fresta que me resta e um alento
tento não parecer tedioso osso para a visita aflita
fica sempre um gosto fosco anelado de birita
me irrita tanto papel cinzel espalhado pela mesa
framboesa e algo mais me traz esse cheiro de incerteza
firmeza não o violão encostado num canto acalanto
e um manto de poeira sem besteira e nenhum pranto
pois de tanto em tanto é que me mata uma barata
rata rata rata rata rata rôta uma barata
Pungente
memória tangente
tanta gente, tantas coisas...
cérebro dormente
tantos nomes, tantas datas...
vida ca(n)dente
às vezes tenho senso de baratas.
tanta gente, tantas coisas...
cérebro dormente
tantos nomes, tantas datas...
vida ca(n)dente
às vezes tenho senso de baratas.
Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007
por boleta
faz muito tempo que não escrevo poesia
e fico assim com a cabeça vazia
um pouco de azia cerebral e, por sinal,
não há nada de especial a ser dito, maldito,
explícito o implícito, licitamente mente
(mente de mentir, não de sentir)
deixo fluir palavras, apenas por prática ártica
e me farto de saber que o ser pode conter
o não-ser e há algo além, alguém aquém de mim,
assim meio bôbo, bôlo, lôco, pôco, brinco de acentuar
não para rimar, isso não importa já que a porta não está ali
(porta de pensar, não de fechar)
e assim vou, só por exercício vício
que já me faz assim como por ócio
como se eu pudesse viesse como pôr
milagre. viste? não é assim tão vão
como pão, ovo e de novo me vo(o)u
(voou assim de flor, não de por)
e fico assim com a cabeça vazia
um pouco de azia cerebral e, por sinal,
não há nada de especial a ser dito, maldito,
explícito o implícito, licitamente mente
(mente de mentir, não de sentir)
deixo fluir palavras, apenas por prática ártica
e me farto de saber que o ser pode conter
o não-ser e há algo além, alguém aquém de mim,
assim meio bôbo, bôlo, lôco, pôco, brinco de acentuar
não para rimar, isso não importa já que a porta não está ali
(porta de pensar, não de fechar)
e assim vou, só por exercício vício
que já me faz assim como por ócio
como se eu pudesse viesse como pôr
milagre. viste? não é assim tão vão
como pão, ovo e de novo me vo(o)u
(voou assim de flor, não de por)
Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
monogamia
Pirâmides estruturais fundamentadas
em relações sociais excludentes.
Monos e heteros.
Escravidão sexual
monogamia traição.
A sexualidade se esconde
em psicossomatismos sem sentido.
Anéis de aliança,
algemas de casamento.
E tudo isso apenas
para decidir quem vai herdar
a maldita fortuna do defunto.
em relações sociais excludentes.
Monos e heteros.
Escravidão sexual
monogamia traição.
A sexualidade se esconde
em psicossomatismos sem sentido.
Anéis de aliança,
algemas de casamento.
E tudo isso apenas
para decidir quem vai herdar
a maldita fortuna do defunto.
Quinta-feira, Janeiro 04, 2007
o dia em que quase perdi tudo (até a vida)
caraca meu!!!
se eu ainda não acreditasse em "milagres", hoje acreditaria.
ontem meu pai fez o almoço... até aí tudo bem. só que a chama do arroz apagou sozinha, antes do arroz ficar pronto, e nem meu pai nem eu percebemos. ou seja, o gás ficou vazando pela boca do fogão desde as dez da manhã até a hora em que acabou o gás do botijão. por pouco que não explodimos com tudo! meu pai só foi perceber hoje de manhã, quando foi esquentar água pra fazer o café.
deuses de aesgaard! essa foi por pouco.
se eu ainda não acreditasse em "milagres", hoje acreditaria.
ontem meu pai fez o almoço... até aí tudo bem. só que a chama do arroz apagou sozinha, antes do arroz ficar pronto, e nem meu pai nem eu percebemos. ou seja, o gás ficou vazando pela boca do fogão desde as dez da manhã até a hora em que acabou o gás do botijão. por pouco que não explodimos com tudo! meu pai só foi perceber hoje de manhã, quando foi esquentar água pra fazer o café.
deuses de aesgaard! essa foi por pouco.
Quinta-feira, Dezembro 14, 2006
Quarta-feira, Novembro 22, 2006
poli ál(o)go
um diálogo, certo dia, numa mesa de bar (diálogo realizado através de palavras escritas, não sonorizadas, o que facilita a reconstituição do mesmo):
GNER:
Mariocas
Estamos mesmo nele? Orgânicos?
Nós dois
Poetas errantes?
LENON:
Estamos no não-aqui
Pois no sim do não, erramos
E no não do sim, estamos
Errantes...
Poetas?
GNER:
Ou melhor,Livres?
Livre mente solta!
Completa mente solta?
LENON:
Solta mente não mente, completa?
Questionamente livres
Presalivre... presas?
di vaga mentedi tri poliplus nulla res
livre!
GNER:
Presas, não ou sim, depende!
Melhor,
Referenciáveis...
Melhor ainda
Relacionáveis
Rela naveLeva...
LENON:
Onde há presas há predadores
Onde há selva há Darwin
(isto é só uma teoria, não necessariamente a minha)
GNER:
predação de mente?
Mentes!
Nesse ente
Não há dentes...
LENON:
Belo, porém discordável.
Rosas & espinhos
GNER:
O espinho
Conserva ele lugar no espaço
Porém
Individualiza mais que preda
LENON:
Individualizando, preda o coletivo
Consciente mente?
GNER:
Preda o coletivo?
Defendes o indivíduo coletivo!?
Naturalmente
Inconsciente mente
LENON:
Indivíduo coletivo?
Sim, pois claro(?)!
Todo (?) indivíduo é coletivo!
Todo (?) coletivo é indivíduo!
Porém
Predam-se
(?)
!
GNER:
predam-se:
sob grandes lentes
desarmonia
o todo
harmônica mente
natural
sob hiper lentes
harmonia nova mente
homeostase!
LENON:
Harmonia = des
Caos é o cego em tiroteio
O “uuuu” do “vruuuum” dos carros de fórmula um
A saliva do pássaro
GNER:
A pouca saliva do pássaro
O necessário
Assim
“os outros passarão
eu [humildemente] passarinho”
vamos seguindo
com-seguindo
nos seguindo
segundo a segundo
LENON:
um fragmento de instante
constante
olhar, sorriso e fuga.
GNER:
Mariocas
Estamos mesmo nele? Orgânicos?
Nós dois
Poetas errantes?
LENON:
Estamos no não-aqui
Pois no sim do não, erramos
E no não do sim, estamos
Errantes...
Poetas?
GNER:
Ou melhor,Livres?
Livre mente solta!
Completa mente solta?
LENON:
Solta mente não mente, completa?
Questionamente livres
Presalivre... presas?
di vaga mentedi tri poliplus nulla res
livre!
GNER:
Presas, não ou sim, depende!
Melhor,
Referenciáveis...
Melhor ainda
Relacionáveis
Rela naveLeva...
LENON:
Onde há presas há predadores
Onde há selva há Darwin
(isto é só uma teoria, não necessariamente a minha)
GNER:
predação de mente?
Mentes!
Nesse ente
Não há dentes...
LENON:
Belo, porém discordável.
Rosas & espinhos
GNER:
O espinho
Conserva ele lugar no espaço
Porém
Individualiza mais que preda
LENON:
Individualizando, preda o coletivo
Consciente mente?
GNER:
Preda o coletivo?
Defendes o indivíduo coletivo!?
Naturalmente
Inconsciente mente
LENON:
Indivíduo coletivo?
Sim, pois claro(?)!
Todo (?) indivíduo é coletivo!
Todo (?) coletivo é indivíduo!
Porém
Predam-se
(?)
!
GNER:
predam-se:
sob grandes lentes
desarmonia
o todo
harmônica mente
natural
sob hiper lentes
harmonia nova mente
homeostase!
LENON:
Harmonia = des
Caos é o cego em tiroteio
O “uuuu” do “vruuuum” dos carros de fórmula um
A saliva do pássaro
GNER:
A pouca saliva do pássaro
O necessário
Assim
“os outros passarão
eu [humildemente] passarinho”
vamos seguindo
com-seguindo
nos seguindo
segundo a segundo
LENON:
um fragmento de instante
constante
olhar, sorriso e fuga.
Sexta-feira, Novembro 17, 2006
NASCIMENTE
1. no começo havia o nada, e nada mais havia.
2. e o nada era o tudo em potencial, apesar de tudo não ser nada.
3. o mundo é, foi e será tudo, nada e algo mais.
4. não havia ainda o espaço-tempo, pois não existiam budas, moscas, mendigos, macacos pelados, árvores ou outros sintomas de estruturas de carbono.
5. linearidade era desconhecida, assim como o conhecimento, a verdade e o sentido.
6. não se confundam, pois apesar de nó macacos pelados referirmo-nos ao nada com artigo masculino, o nada era uma mulher!
7. sim, e A nada, sendo a única coisa que existia, não tinha como ter um parceiro. menos ainda do sexo oposto...
8. nada foi a primeira onanista!
9. certo dia...
10. (peraí! se não havia sol, lua, estrelas ou mesmo universo, como poderia haver dia?!? não posso sequer escrever “em certo momento”, pois o espaço-tempo tampouco existia! também não rola dizer “de repente”, “então”, “daí”, ou qualquer outro termo correlato, pois todos eles estão presos num pressuposto de causa-efeito que não existe na realidade do nada se não havia espaço-tempo nem linearidade tampouco havia antes ou depois ou mesmo seqüência ou lógica... tudo (nada) acontecia ao mesmo (...) ao mesmo não-tempo e no mesmo não-espaço! )
11. mas como é que eu vou explicar isso?
12. ta foda-se! o que importa (ou não) é que, de tanto onanismo, nada se auto-fecundou, gerando cinco filhos: Éris, Anéris, Onan, A vaca sagrada que voua, e um deus menor...
2. e o nada era o tudo em potencial, apesar de tudo não ser nada.
3. o mundo é, foi e será tudo, nada e algo mais.
4. não havia ainda o espaço-tempo, pois não existiam budas, moscas, mendigos, macacos pelados, árvores ou outros sintomas de estruturas de carbono.
5. linearidade era desconhecida, assim como o conhecimento, a verdade e o sentido.
6. não se confundam, pois apesar de nó macacos pelados referirmo-nos ao nada com artigo masculino, o nada era uma mulher!
7. sim, e A nada, sendo a única coisa que existia, não tinha como ter um parceiro. menos ainda do sexo oposto...
8. nada foi a primeira onanista!
9. certo dia...
10. (peraí! se não havia sol, lua, estrelas ou mesmo universo, como poderia haver dia?!? não posso sequer escrever “em certo momento”, pois o espaço-tempo tampouco existia! também não rola dizer “de repente”, “então”, “daí”, ou qualquer outro termo correlato, pois todos eles estão presos num pressuposto de causa-efeito que não existe na realidade do nada se não havia espaço-tempo nem linearidade tampouco havia antes ou depois ou mesmo seqüência ou lógica... tudo (nada) acontecia ao mesmo (...) ao mesmo não-tempo e no mesmo não-espaço! )
11. mas como é que eu vou explicar isso?
12. ta foda-se! o que importa (ou não) é que, de tanto onanismo, nada se auto-fecundou, gerando cinco filhos: Éris, Anéris, Onan, A vaca sagrada que voua, e um deus menor...
Quarta-feira, Novembro 15, 2006
Dia Lética
Relativa contradição
Ser e não ser,
eis a questão!
O homem é um homem
nada mais que um animal
nada menos que um deus.
Homem, Animal e Deus.
O movimento flui
nos limites da inexistência.
Eu sou eu
e influencio o meio
onde vivo
e sou influenciado
pelo mesmo.
Eu sou o meio
eu
e os outros.
Sou muitas personas
e não sou ninguém.
Tudo que existe
carrega em seu seio
a sua própria contradição
que o destruirá
para que algo novo
possa nascer
e se desenvolver
de modo desigual e combinado.
Tudo desfaz-se no ar.
Ser e não ser,
eis a questão!
O homem é um homem
nada mais que um animal
nada menos que um deus.
Homem, Animal e Deus.
O movimento flui
nos limites da inexistência.
Eu sou eu
e influencio o meio
onde vivo
e sou influenciado
pelo mesmo.
Eu sou o meio
eu
e os outros.
Sou muitas personas
e não sou ninguém.
Tudo que existe
carrega em seu seio
a sua própria contradição
que o destruirá
para que algo novo
possa nascer
e se desenvolver
de modo desigual e combinado.
Tudo desfaz-se no ar.
Sábado, Julho 15, 2006
à
eu largaria tudo por ti.
.
.
.
.
.
mas note que isso não é um auto-sacrifício romântico da minha parte, pois sei que não abandonaria meus sonhos mais profundos por nada, e sei também que isso não seria necessário caso estivesses ao meu lado... sei que tu não me pedirias para abandoná-los, porém os compartilharia. seríamos dois harlequinistas flutuando ao vento, venturosos. caso estivesse ao teu lado. não haveria necessidade de tal sacrifício, pois tu és tudo.
.
.
.
.
.
mas note que isso não é um auto-sacrifício romântico da minha parte, pois sei que não abandonaria meus sonhos mais profundos por nada, e sei também que isso não seria necessário caso estivesses ao meu lado... sei que tu não me pedirias para abandoná-los, porém os compartilharia. seríamos dois harlequinistas flutuando ao vento, venturosos. caso estivesse ao teu lado. não haveria necessidade de tal sacrifício, pois tu és tudo.
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