Sábado, Agosto 08, 2009

saldo da viagem à minas

algumas poetrixes e um haicai por heresia


POESIANDO

se eu faço uma rima pequenina
pequena pepita cristalina
vejo o mundo enorme, nina



CAMPAINHA

se uma flor abre na janela
de tão singela cor, a flor,
meu corpo todinho acelera



ESPERANÇA

e se por acaso eu topar,
algum dia a caminhar
na rua a estrela do mar



CASA DE MAMÃE

cores, biscoitos, blues
conversa à mesa do chá
um tantão assim de luz




um haicai por heresia
pois no fim das contas
o que conta é poesia

Quinta-feira, Abril 23, 2009

haicai

entre cores eu caí
pessoas soam flores
borboletas por aí

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

poetrixes

conheci poetrix esses dias... gostei tanto da idéia que eu resolvi pegar vários textos antigos meus... pequenas pérolas perdidas, trechos passáveis enfiados em poesias ruins, e lapidar transformando em poetrix.

eis o que saiu:



Passadopresentefuturo

O presente pressente o futuro
Imerso na ilusão do passado
É tudo um ponto



O relógio ao longe

Descompassado bate
E antes que me mate
Desenho o ponto que lhe tange.



Solve et Coagule

que sirva
sorva e
re-solva



Fugi

O Monte Fuji ia rugindo
Nós fugindo
Ele fujindo



Minha alma, desarmada

Canta e geme
Grita e treme
E se desfaz



“Tea or Tears?”, perguntou a tecelã

debruçada em seu tear
tecendo tramas
terços textos


Eros & Thanatos

Venha me libertar
Me beije
Corte minha cabeça


Fundição
Laylah lá fora chora por mim.
Dentro outra noite gargalha.
Minh`alma dançando no fio da navalha.

Fecho a janela, me tranco em mim
Porém ainda gotas me tocam,
invadem, me alcançam em minha toca.



Relações Interpessoais

O ser humano precisa
De outro para ser
Humano



Que faço eu de minha alma?

Tão volúvel
Tão volátil
Jamais fútil



Pedra Rosa

A batucada dos tambores repica no meu peito
Voltas e cores pelo ar
ClAmores d’alma suspirosa



Oh Vasto Mundo!

A Senhora com a Foice
Me persegue, me ilumina
Me ataca e me fascina



Frase de Papel de Bala

Hoje à tarde
Bala caída no chão
“eu me rendo, você venceu”



um ser comum

um lugar qualquer
em tempo algum
nem um lapso sequer



minha vida se acha (ou se perde)

entre linhas mortas
retas tortas
e tortas de limão



Socorro!

A vida que jorra neste instante
Flutuando, pluma ao vento,
Cabelo de cavaleiro andante



A primavera

Quase um haikai
Tão cordial
Nesse vai-não-vai



Dê um passo adiante

Prédio alto, braços abertos
Bem no topo, olhe para o sol
Seja a essência do sol



Embriagado em passos tortos

Passos largos
Espaçados
E o espaço se dilui



(falam mais que palavras)

um gesto
um olhar
uma sensação pelo ar

côco da BR

já é de tarde
tô sentado aqui na grama
puxa vida, que desgrama
só queria uma cama
pra mó de podê deitá

tô embolado
eu tô todo esfomeado
tô ficando aperreado
invento palavreado
pra mó de podê rimá

e vou no côco
rimando sem brincadeira
fazendo uma pulseira
mangueando a praça inteira
pra mó de podê ganhá

ganhá dinheiro
amigo, sem fulerage,
pra comprá uma passage
ir em frente na viage
pra mó de podê chegá

chegá em casa
encontrá os meu irmão
meus manos do coração
porque nesta solidão
não dá mais para ficá

pseudo-hai kais para são paulo

toda vez que parto
de São Paulo, deixo outra
parte de mim


:::



São Paulo, cidade
de sonhos e ilusões que
são realidade

Sábado, Novembro 01, 2008

não quero escrever poema de amor
ou de dor, não quero mais
poema sem esmero.
nem que seja sincero.
não vou mais compor meus ais,
nossos corpos lado a lado.
não, não quero mais
poema de amor mal-rimado.
fui escrever, terno,
um poema pra você.
começou a chover
no meu caderno

Segunda-feira, Setembro 15, 2008

Clichês

homem
mulher

:::

- diz que me ama.

- hein?

- diz...

- não é algo que se diga
amiga, o sentimento
perde valor quando explícito
fique atenta, bote tento
neste mundo amor é ilícito
é tão imoral que crucifica

- ora, pois, não bobeje,
amor é algo belo, não flagelo
não tenha vergonha
deste grande sol amarelo
deixe que se imponha
tudo que há de bom e me beije.

- bem vejo como és criança
que acreditas nestas asneiras
te beijo porque me dá prazer
não por amor, que besteira.
neste mundo tão blasé
apenas a ilusão avança.

- hah! criança? eu?
em livros te partes...
bem posso reconhecê-los
todos nietzches e sartres...
por que não rompes estes selos
como rompeste o hímen meu?

- Tolices! nada há a romper.
estou no caminho certo.
tu que apenas chafurdas
trilhando o incorreto
caminho das crenças medievais.
ai, quão atrasada está você.

- Estúpido! como ousas?
me chamar de medieval!
estás doido por acaso?
zombar do amor real,
e de mim fazer pouco caso.
ah, vou atrás d'outras cousas!

- Não! por favor não vá!
fui por demais descortês,
mas me arrependo, juro!
perdoe meu jeito inglês
e meu modo perjuro.
deixe-me te alegrar.

- ai tolinho maldito...
bem sabes que te perdôo
mas diga que me ama
qye qyabdi ne vês alças vôo.
e que seja mentira insana,
ainda assim acredito.

- está bem, eu digo
que te amo: eu te amo
satisfeita, anjo dourado?
digo sem desengano:
quero-te sempre a meu lado.
nisto não há perigo.

- obrigada. obrigada... eu também te amo.

Vinhos de Rosas

(escrito em conjunto com Julinha Ribeiro. cores:
Lênon
Juh)


papel de bala no chão
me abala o coração
estala e intercala
sem sentido, sem razão.
nova trova, nova fala:
crie som em um clarão.


inspicriando
...sempre
..cantando
.....e
...nunca
......parando


ciranda ciranda
cirandando
valsadançando
siga o baile
das palavras
e que surjam
belas lavras


palavras-flores
jardim-poesias
jardineiros-poetas

compara-comparando

brote no aroma
desta canção


a Roma! a Roma!
a todos os quatro cantos
aos infinitos recantos
enviemos nossos cantos
tão cheios de encantos
tão santos prantos
tão alegres acalantos


somos incentivados
aos cantos
.....acalantos
.....prantos

o engraçado
embriagado
.....e
misturado

vence em Roma
......o
....mais
....amado
......e
....pouco
...falado

que nossas palavras
sejam carinhos
indiquem caminhos

e que a Rosa
por nós regada
seja vistosa:
um tudo-nada


jardineiros
amados
.........são
articulados
.ao
..todo
...carinho
seja no
.nada,
..tudo
...no
....bem
.....ou
......mal
amados

nada-tudo
contrastes
bem igualados

sentidos
amigos, amados
que
nada ou tudo
sejam bem
lindos
no mundo
desorientados

amores são rosas
imagem velha, eu sei
beleza, perfume...
............espinhos

porém o prazer
- cor e odor -
supera em muito a dor
do corte que se possa fazer

por isso cultivamos
aquilo que pode nos ferir
pois no fundo sabemos
que o sangue nos fará rir


olhares tristonhos
olhares risonhos

..........a Flor
.............é
..........isso!

mais do que
..........isso!

somos flores!
somos vida!

espinhos
cores

pétalas
lágrimas

que do sangue
.............se faça
....................um
belo vinho

Sábado, Setembro 13, 2008

Til Deg

(o nome tá em norueguês só pra ser chique. não confundir com música homônima - muito boa, por sinal - da banda Gåte)




e se eu te dissesse
para dar-me tua mão
e vir comigo?

e se eu te dissesse
que sou aquele que procuras
a tanto tempo?

e se eu te dissesse...?
ah, te direi, te direi.

parecerá mentira, sim eu sei.
mas te direi.
te digo agora:

dê me tua mão
e venha comigo
pois o meu amor
vai além do de um irmão
ou de um amigo.

sinta as batidas de meu coração
e saiba que não é ilusão
quando eu digo
que meu amor ascende em esplendor
por ti.

Do Jardim

cantando desco ao jardim.
o sol ilumina, bela tarde.
flores rosas verdes assim:
multidão de cor e alarde.

entre as plantas um regato,
onde brincavam nossos sonhos,
e com pudor e com recato
passamos dias risonhos.

lá nos vimos muitas vezes
lá dormimos sobre redes
lá a felicidade foi plena

porém hoje esse recanto
que tanto ouviu nosso canto
ouve uma ária mais amena.

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Beije o Mundo

a loucura o que procuras?
amor!
não se pergunte o caminho,
construa-o!

a sabedoria e a loucura
teus sonhos, amor, teus sonhos
apenas viva!
mantenha a chama do peito acesa,
princesa!

flutue nos caminhos da vida
seja uma pluma
seja o fluxo
dirija o fluxo
e deixe o fluxo te levar

beije o mundo
desca ao profundo
de todo pensamento
tudo que te dê alento

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

Da Saudade v.2.0

(modificações feitas por Lucas Lisboa)

Numa casa bem alta no morro
entre pastos e matos, discorro
no papel a pungente saudade
que já sinto da grande cidade

o trem passa e depois são os pássaros,
que distraem-me das letras e traços
enchem tudo de música e cor
mas realmente prefiro, meu amor,

o barulho: guitarras torcidas
o sabor bom de pizzas dormidas
o embalado do ritmo industrial

mas eu mesmo desejo esse Dom
de não ter diferença de Tom
do Concreto para o mais Surreal

Segunda-feira, Julho 07, 2008

Canção de Uma Manhã Preguiçosa

abro os olhos,
o sol já sobe.
teu cheiro...

que preguiça de levantar!
e sentas à janela,
fumando, tão singela.
cigarro e incenso
se misturam pelo ar
e ah!
que preguiça de levantar!

um "bom dia" cristalino
cantam os carros
lá embaixo...

que preguiça de levantar!
estamos no quinto andar
e tu, nua, sentas
na janela a fumar.
mais um gole de whisky
e ah!
que preguiça de levantar!

me pergunto a quanto tempo
estás aí parada
pelada...

copo e cigarro na mão
olhos na multidão
que embaixo passa

estendo o braço e chamo
um riso belo e vens
e ah!
que preguiça de levantar!

Quinta-feira, Junho 26, 2008

A Moça dos Cabelos Azuis

fui uma visão fugaz,
encontro cheio de luz,
quando o jovem rapaz
certo dia a viajar
encontrou no além-mar
a moça dos cabelos azuis.

um piercing enfeitava
o sorriso pleno de luz
que espontâneo brotava
em suas faces serenas
de feições tão amenas
da moça dos cabelos azuis.

foi uma hora tão breve,
instante repleto de luz,
deixou o coração leve,
o mundo em alto-astral.
pois como pode haver o mal,
se há a moça de cabelos azuis?

as palavras pronunciadas,
todas sílabas de luz,
poucas porém guardadas
assim como o rosto de fada.
pois será sempre lembrada
a moça dos cabelos azuis.

Do Trem

ao longe o sol desce
e o céu escurece
mas o trem segue
vale após túnel

árvores e postes correm
e os minutos escorrem
enquanto o trem segue
túnel após vale

ali vai tanta gente
tanta história pungente
enquanto o trem segue
montanha após vale

mesmo quando chegamos
e nos aconchegamos
sempre o trem segue
luz após túnel

Quarta-feira, Junho 25, 2008

A Folha que Folia

uma folha
uma singela folha
folia
feliz e sorridente
entre os aldeões

ninguém lhe dava atenção
ou sequer fazia menção
de tirá-la para dançar

mas ali continuava ela
tão contente, tão donzela
a folha de maracujá

"não quero saber do relento
e nem me fale em sofrimento
eu quero apenas bailar.

aqui não existe agonia,
apenas gozo", dizia
a folha de maracujá

aquela folha
aquela singela folha
que folia
feliz e sorridente
entre os aldeões

Da Saudade

em uma casa no alto do morro
entre pastos e matos, discorro
sobre a pungente saudade
que sinto da grande cidade

um trem passa e os pássaros, ai,
como este colibri que me distrai,
enchem tudo de música e cor
mas eu realmente prefiro, amor,

o som das guitarras distorcidas
o sabor das pizzas amanhecidas
o embalo do ritmo industrial

mas especialmente aquele dom
de não haver diferença de tom
entre o concreto e o surreal

Quinta-feira, Abril 24, 2008

só porque é dia 23:


Quinta-feira, Abril 17, 2008

Despedida Prematura

vai chover.
as folhas caem, outonais,
o céu escurece e minha paz,
você,
disse que vai ligar e eu espero.
escrevo versos sem esmero
nas folhas
espalhadas sobre a mesa,
caindo com firmeza.
recolha-as.
gotas de lágrimas arbóreas,
espantando as senhoras...
correm.
nuvem no céu escurece,
improviso uma prece
jovem.
a tarde recém começou,
mal descobri o que sou.
vai chover.
as lágrimas caem em paz.
ajoelho-me onde jaz
você.

Sábado, Fevereiro 23, 2008

De Hedonis

No templo verde da lagoa
um sentimento muito leve se apregoa.
No tempo em que cresce a raíz,
Dionísio, relâmpago, voz: sê feliz!

No ermo da cidade adormecida
entre prédios preparo uma descida
da rua da urbe à rua da alma,
rios de asfalto, sentido e, calma,

nada há a temer esta noite,
ainda que o vento forte açoite,
apenas o nobre Hedonis espera.

com seus olhos brilhantes de pantera
o fundo de minh'alma ele agita:
prazer e alegria são de ouro pepita!

Domingo, Dezembro 23, 2007

Embriagai-vos

(esta NÃO é minha... quem dera fosse. é de um gênio chamado Charles Boudelaire. apreciem sem moderação.)

Embriagai-vos

Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto: é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que vos dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagai-vos sem cessar é preciso.

Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, como achardes melhor.

Mas embriagai-vos.

E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão de seu quarto, você acordar com a embriaguez já diminuída ou sumida, pergutem ao relógio, ao vento, à vaga, às estrelas, a tudo que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, as estrelas, as aves lhe responderão: "É hora de embriagai-vos! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriagaivos; sem cessar embriagai-vos! De vinho, poesia ou virtude, como achardes melhor".

Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

What a Boring World!

mais uma música dos Neuromantes. na verdade não tá pronta ainda. faltam mais algumas estrofes.

^^

Letra: Danilo Luís Faria / Lênon Kramer von Bischofshhausen
Música: Lênon Kramer von Bischofshhausen

What a Boring World!

late at morning
holy crap!
life is boring
and I'm tired to rest

smoking a cigarret
'couse I think it's cool
with something in my mouth
don't need to talk with someone else

what a boring world!
what a boring world!
what a boring world
around.

see the city's streets
in my neigborhood
brainless minds
living just for food

sitting at the bus stop
just waiting
for the time
to shake body with the crowd

what a boring world!
what a boring world!
what a boring world
around.

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

Why do we need a home at all?

musiquinha nova d'Os Neuromantes (surgida no ensaio de ontem):
letra - Danillo Luis Faria / Lênon Kramer von Bischofshhausen
música - Lênon Kramer von Bischofshhausen



"long way to hooooome..."
-hey! wait!
-what?
-we don't have a home at all...
-yeah... that's right...


we don't have a home at all
'couse we have this fucking town
when we came from work at night
we go to a freind's hive

mama and papa want us home
oh please just leave me alone
they use to say that family's nice
oh, come on, give it a try!

we don't like they call us hypes
'couse we don't sell works at night
we don't sleep in streets or alleys
'couse we have some fucking allies!!!

when we see that it's morning
we can't think that night was boring
so we look to the working guys
oh, our life is paradise!!!

Terça-feira, Outubro 30, 2007

copo

(F7+ Dm)
um copo de coca bem gelada agora me fará bem.
um pouco vazio o corpo frio e a meu lado alguém
(A7 D E/D D F)
o que será da minha vida se não se fecha esta ferida?

(F7+ Dm)
lá fora chove, o tempo corre, o que será de mim?
o vento forte, no meu peito um corte carmesim
(A7 D E/D D F)
se não consigo resistir, não tem outro jeito, eu vou partir.

solo:
(F7+ A7 C G Em)

refrão:
(F D E)
sentado na janela
vendo o trânsito passar
minha alma se esfacela
enquanto eu tento respirar
se ao menos eu tivesse
uma garrafa de conhaque
então eu lavaria
toda essa mágoa tênue que me assola, desconsola e descontrola.


(falta escrever as duas estrofes finais da música)

Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Beat Bits

Desperte!
a noite cai, as estrelas começam a brilhar. o caos dança, ácido, é o sabor da rede digital. ando ao sabor da realidade virtual.
zero
um
um
zero
bits de informação zanzando pelo cérebro
...
somos os beats da era digital.
nós sabemos que o zero é igual ao um.
somos os magos.
abrimos a caixa quotidianamanete, sempre fazendo a opção pelo universo que queremos.
fazendo escolhas, criamos o universo.
não existe o impossível, neste passeio pelo mundo.
ao colapsar do espaço-tempo compreendemos que é tudo um ponto. passadopresentefuturo cirandando loucamente em todas as maneiras possíveis.
nossa vontade é a espátula com que moldamos a nossa realidade.
você é parte de nós.
nós somos deus.

Ponto

negro líquido lânguido
fluindo garganta abaixo
enquanto eu encaixo,
gota a gota, um frígido
sentido de falta.

nesta noite alta
a corrosão espectral que vem
me arrebatar para longe,
e um suspiro que me foge
leva consigo alguém.

amor! que será da vida
se a cada vez que respiro
ou ando, caio e me firo,
se tudo que recebo na lida
é sempre o mesmo

clangor a esmo
o relógio ao longe
descompassado bate
e antes que me mate
desenho o ponto que lhe tange.

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

ode à metrópole

hojeu eu vou caminhar pelas ruas da cidade
é de noite e os carros vagam com temeridade
olha só, como é lindo, as pessoas indo e vindo
pelos bares, pelo centro, e o trânsito fluindo

prédios altos, avenidas e os panques lá na praça
muito vinho e cerveja, vários litros de cahcaça
vou dançando uma valsa pelas ruas que eu amo
e as luzes de neon, dançando elevam o tom

a metrópole esta noite vai brilhar
barulhenta, tiros, carros a passar
histeria, gritos, uivos e sirenes
a metrópole, sua fluidez perene

e da cinza das fumaças brotam os muros pixados
futuristas primitivos, de mãos dadas lado a lado
os xamãs urbanos com colares de silício
cada esquina, cada casa, cada bairro um novo vício

conhecer a metrópole é uma grande odisséia
tem polícia, anarquista, e uma grande panacéia
e sem ela eu não sei para onde devo ir
pois a urbe, vejam bem, é meu viver e meu sorrir

Quinta-feira, Agosto 30, 2007

que sirva
sorva e
re-solva

poesia expressa






expressamente - Lênon Kramer




POEsia - Lênon Kramer



de quase morto - Danilo Gustavo da Silva & Lênon Kramer

Segunda-feira, Maio 07, 2007

sala de cinema

embriagado em sonhos vãos
vão-se diluindo lilases
todas as luzes fugazes.
-rapazes, como dói o coração.

sou só um malandro safado
aquele tipo de má companhia
de quem toda mãe desconfia
e evita que esteja a teu lado.

oh se ela ao menos soubesse
que enquanto estavas na quermesse
eu chorava por ti este poema.

e que nesta sala vazia de cinema
enquanto jules et jim eu vejo
só penso no sabor de teu beijo.

A Sala (um exercício descritivo)

a barata rouca rôta sobre o solo madeirento
vento passa pela fresta que me resta e um alento
tento não parecer tedioso osso para a visita aflita
fica sempre um gosto fosco anelado de birita
me irrita tanto papel cinzel espalhado pela mesa
framboesa e algo mais me traz esse cheiro de incerteza
firmeza não o violão encostado num canto acalanto
e um manto de poeira sem besteira e nenhum pranto
pois de tanto em tanto é que me mata uma barata
rata rata rata rata rata rôta uma barata

Pungente

memória tangente
tanta gente, tantas coisas...
cérebro dormente
tantos nomes, tantas datas...
vida ca(n)dente
às vezes tenho senso de baratas.

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

por boleta

faz muito tempo que não escrevo poesia
e fico assim com  a cabeça vazia
um pouco de azia cerebral e, por sinal,
não há nada de especial a ser dito, maldito,
explícito o implícito, licitamente mente
(mente de mentir, não de sentir)

deixo fluir palavras, apenas por prática ártica
e me farto de saber que o ser pode conter
o não-ser e há algo além, alguém aquém de mim,
assim meio bôbo, bôlo, lôco, pôco, brinco de acentuar
não para rimar, isso não importa já que a porta não está ali
(porta de pensar, não de fechar)

e assim vou, só por exercício vício
que já me faz assim como por ócio
como se eu pudesse viesse como pôr
milagre. viste? não é assim tão vão
como pão, ovo e de novo me vo(o)u
(voou assim de flor, não de por)

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

monogamia

Pirâmides estruturais fundamentadas
em relações sociais excludentes.
Monos e heteros.

Escravidão sexual
monogamia traição.
A sexualidade se esconde
em psicossomatismos sem sentido.

Anéis de aliança,
algemas de casamento.

E tudo isso apenas
para decidir quem vai herdar
a maldita fortuna do defunto.

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

o dia em que quase perdi tudo (até a vida)

caraca meu!!!

se eu ainda não acreditasse em "milagres", hoje acreditaria.

ontem meu pai fez o almoço... até aí tudo bem. só que a chama do arroz apagou sozinha, antes do arroz ficar pronto, e nem meu pai nem eu percebemos. ou seja, o gás ficou vazando pela boca do fogão desde as dez da manhã até a hora em que acabou o gás do botijão. por pouco que não explodimos com tudo! meu pai só foi perceber hoje de manhã, quando foi esquentar água pra fazer o café.

deuses de aesgaard! essa foi por pouco.

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

o dia em que buddha foi ao rodeio

aum!


.
.

.


mu!


.
.
.
.


aum!


.

.
.


mu!


.
.


?

.
.
.


-



!

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

poli ál(o)go

um diálogo, certo dia, numa mesa de bar (diálogo realizado através de palavras escritas, não sonorizadas, o que facilita a reconstituição do mesmo):

GNER:
Mariocas
Estamos mesmo nele? Orgânicos?
Nós dois
Poetas errantes?

LENON:
Estamos no não-aqui
Pois no sim do não, erramos
E no não do sim, estamos
Errantes...
Poetas?

GNER:
Ou melhor,Livres?
Livre mente solta!
Completa mente solta?

LENON:
Solta mente não mente, completa?
Questionamente livres
Presalivre... presas?
di vaga mentedi tri poliplus nulla res
livre!

GNER:
Presas, não ou sim, depende!
Melhor,
Referenciáveis...
Melhor ainda
Relacionáveis
Rela naveLeva...

LENON:
Onde há presas há predadores
Onde há selva há Darwin
(isto é só uma teoria, não necessariamente a minha)

GNER:
predação de mente?
Mentes!
Nesse ente
Não há dentes...

LENON:
Belo, porém discordável.
Rosas & espinhos

GNER:
O espinho
Conserva ele lugar no espaço
Porém
Individualiza mais que preda

LENON:
Individualizando, preda o coletivo
Consciente mente?

GNER:
Preda o coletivo?
Defendes o indivíduo coletivo!?

Naturalmente
Inconsciente mente

LENON:
Indivíduo coletivo?
Sim, pois claro(?)!
Todo (?) indivíduo é coletivo!
Todo (?) coletivo é indivíduo!
Porém
Predam-se
(?)
!

GNER:
predam-se:
sob grandes lentes
desarmonia
o todo
harmônica mente
natural
sob hiper lentes
harmonia nova mente
homeostase!

LENON:
Harmonia = des
Caos é o cego em tiroteio
O “uuuu” do “vruuuum” dos carros de fórmula um
A saliva do pássaro

GNER:
A pouca saliva do pássaro
O necessário
Assim
“os outros passarão
eu [humildemente] passarinho”
vamos seguindo
com-seguindo
nos seguindo
segundo a segundo

LENON:
um fragmento de instante
constante
olhar, sorriso e fuga.

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

NASCIMENTE

1. no começo havia o nada, e nada mais havia.

2. e o nada era o tudo em potencial, apesar de tudo não ser nada.

3. o mundo é, foi e será tudo, nada e algo mais.

4. não havia ainda o espaço-tempo, pois não existiam budas, moscas, mendigos, macacos pelados, árvores ou outros sintomas de estruturas de carbono.

5. linearidade era desconhecida, assim como o conhecimento, a verdade e o sentido.

6. não se confundam, pois apesar de nó macacos pelados referirmo-nos ao nada com artigo masculino, o nada era uma mulher!

7. sim, e A nada, sendo a única coisa que existia, não tinha como ter um parceiro. menos ainda do sexo oposto...

8. nada foi a primeira onanista!

9. certo dia...

10. (peraí! se não havia sol, lua, estrelas ou mesmo universo, como poderia haver dia?!? não posso sequer escrever “em certo momento”, pois o espaço-tempo tampouco existia! também não rola dizer “de repente”, “então”, “daí”, ou qualquer outro termo correlato, pois todos eles estão presos num pressuposto de causa-efeito que não existe na realidade do nada se não havia espaço-tempo nem linearidade tampouco havia antes ou depois ou mesmo seqüência ou lógica... tudo (nada) acontecia ao mesmo (...) ao mesmo não-tempo e no mesmo não-espaço! )

11. mas como é que eu vou explicar isso?

12. ta foda-se! o que importa (ou não) é que, de tanto onanismo, nada se auto-fecundou, gerando cinco filhos: Éris, Anéris, Onan, A vaca sagrada que voua, e um deus menor...

Quarta-feira, Novembro 15, 2006

Dia Lética

Relativa contradição
Ser e não ser,
eis a questão!

O homem é um homem
nada mais que um animal
nada menos que um deus.
Homem, Animal e Deus.

O movimento flui
nos limites da inexistência.

Eu sou eu
e influencio o meio
onde vivo
e sou influenciado
pelo mesmo.
Eu sou o meio
eu
e os outros.
Sou muitas personas
e não sou ninguém.

Tudo que existe
carrega em seu seio
a sua própria contradição
que o destruirá
para que algo novo
possa nascer
e se desenvolver
de modo desigual e combinado.
Tudo desfaz-se no ar.

Sábado, Julho 15, 2006

à

eu largaria tudo por ti.

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mas note que isso não é um auto-sacrifício romântico da minha parte, pois sei que não abandonaria meus sonhos mais profundos por nada, e sei também que isso não seria necessário caso estivesses ao meu lado... sei que tu não me pedirias para abandoná-los, porém os compartilharia. seríamos dois harlequinistas flutuando ao vento, venturosos. caso estivesse ao teu lado. não haveria necessidade de tal sacrifício, pois tu és tudo.